Delegacia de Repressão aos Crimes Informáticos e Tribunal de Justiça ainda não têm suspeitos de invasão. OAB afirma que problema também afeta trâmite de processos em papel.

Agentes da Polícia Civil foram à sede do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ-RS), nesta sexta-feira (30), no primeiro dia de trabalhos da investigação sobre o ataque cibernético ao sistema de informática do Judiciário no estado. A apuração é realizada pela Delegacia de Repressão aos Crimes Informáticos.

Ainda não se sabe a origem da invasão às redes do TJ-RS. Segundo o delegado André Anicet, pode ter sido tanto uma invasão externa ou através do acesso de um usuário.

“Em razão do trabalho remoto, algum servidor ou alguém conectado na rede pode ter tido seu computador infectado. Diante do login que a pessoa tem para o acesso à rede, facilitou a entrada do criminoso na rede do Tribunal de Justiça”, explicou.

 

Mensagens automáticas do vírus sinalizam a cobrança de criptomoedas como forma de resgate do sistema. Entretanto, a Polícia Civil e o próprio TJ-RS afirmam que não foi feito um pedido formal para recuperação das redes.

O desembargador Antonio Vinicius Amaro da Silveira, do Conselho de Comunicação do TJ-RS, o órgão não dispõe de recursos para efetuar esse tipo de pagamento.

“O setor público, normalmente, não recebe pedido de resgate porque não paga. Não tem como pagar isso”, disse.

 

A polícia depende agora de informações prestadas pela administração da corte para identificar o código de IP que ingressou no sistema.

O Ministério Público designou um promotor da Promotoria Especializada Criminal para auxiliar na investigação.

Problemas nos serviços

 

A rede do TJ-RS segue sob ataque, informou o órgão. Sistemas como o eThemis, de processo eletrônico, e o de telefonia permanecem fora do ar. O acesso remoto de computadores segue suspenso.

Já a plataforma de e-mail, o sistema de videoconferências e o programa eProc foram restabelecidos.

“Nós estamos conseguindo bastante avanço na contenção dos ataques”, afirmou o desembargador.

 

O Judiciário sustenta que não está totalmente parado. Servidores do TJ-RS estão trabalhando em alternativas, como a realização de audiências de urgência.

Quando há, por exemplo, um pedido de medida protetiva pela Lei Maria da Penha, é possível fazer o trâmite fora do sistema atacado, contando com auxilio de ferramentas como WhatsApp e e-mail.

Por outro lado, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil no RS, Ricardo Breier, cita prejuízos no andamento de processos físicos, impressos em papel.

“Se eu quero, por exemplo, tirar um processo, o servidor tem que movimentá-lo no sistema, que está atacado neste momento. É por isso que paralisa os físicos. É, assim, um filme de terror. A maior crise do Judiciário gaúcho”, comentou.

Ataque

 

O TJ-RS afirma que o caso se trata de um ataque de ransomwareum programa que se infiltra no computador de forma ilícita.

De acordo com o especialista em crimes cibernéticos José Milagre, presidente do Instituto de Defesa do Cidadão na Internet, esse tipo de ataque “é um malware de extorsão que pode bloquear o sistema operacional ou criptografar arquivos e exigir um resgate para desbloquear os arquivos”.

Fonte: G1

Terceiro Setor

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