O volume de investimento social das empresas é o maior dos últimos 14 anos de acordo com a pesquisa BISC (Benchmarking do Investimento Social Corporativo), conduzida pela Comunitas.

A análise, lançada no dia 11 de novembro, também traz algumas características da atuação da iniciativa privada, como o atendimento a novos grupos populacionais em áreas prioritárias, ampliação dos repasses às organizações da sociedade civil e escalada do alinhamento da atuação social empresarial às políticas públicas.

O relatório de 2021 apresenta os dados dos investimentos sociais realizados pelas empresas durante 2020, um ano atípico devido a Covid-19. Com as incertezas e desafios impostos pela pandemia, o Brasil viu aumentar o número de pessoas desempregadas, diminuir a renda e o poder de compra da população, bem como a crise na saúde que resultou em um dos mais altos índices de mortes da doença no mundo: mais de 610 mil pessoas perderam a vida no país.

“Vivenciamos um período sem precedentes, com sérios impactos sociais e econômicos e isto se refletiu no investimento corporativo”, analisa Patricia Loyola, diretora de gestão e investimento social da Comunitas. A especialista explica que a pandemia impôs às equipes dos institutos, empresas e fundações a ampliação da escuta das necessidades do público atendido e o uso de sua expertise de forma decisiva no desenho e implementação das estratégias.

Realizado desde 2008, o BISC envolve uma rede de empresas, institutos e fundações. O objetivo do levantamento anual é contribuir para o desenvolvimento, aperfeiçoamento da gestão e a avaliação dos investimentos sociais corporativos no Brasil. Nesta edição, os dados compilados tiveram a participação de 324 empresas e 17 institutos.

Maior visibilidade do Investimento Social

Um crescimento em relação aos anos anteriores de 13% nos investimentos sociais, a recuperação dos valores aplicados em educação – que atingiram um dos patamares mais elevados de todo o período analisado -, e o fortalecimento significativo dos programas de voluntariado corporativo foram  alguns dos elementos destacados nesta edição.

Em 2019, o volume dos recursos aplicados na área social pelas empresas da Rede BISC alcançou a casa dos R$ 2,5 bilhões, sendo que R$ 1,1 bilhão foram destinados a  projetos educacionais. As instituições mobilizaram cerca de 70 mil voluntários, o que corresponde a 16% do total de seus colaboradores e ao maior percentual já registrado pela pesquisa.

O alinhamento à Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável cresce também de forma acelerada. Entre 2016 e 2019, subiu de 23% para 70% o percentual de empresas que se comprometeram publicamente com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) em razão da prioridade atribuída ao tema por parte das suas lideranças.

O efeito pandemia

Durante a crise sanitária, explica Patricia, foi observada uma rápida compreensão que, diante do tamanho do problema, não seria possível agir isoladamente, por isso foi notória a colaboração entre as empresas de setores similares ou diferentes, com organizações sociais, movimentos e, sobretudo, com o governo.

“A pandemia aumentou a visibilidade do investimento social privado diante da sociedade, que também demonstrou crescente expectativa pela coparticipação das empresas na solução dos problemas sociais de forma emergencial e contínua”, avalia Patricia.

A especialista defende que mesmo com o aprofundamento das mazelas sociais no país e com inúmeros desafios, o relatório aponta para uma oportunidade de ressignificar a atuação social em diferentes dimensões.

“A criação de comitês de crise nas empresas deu agilidade ao processo decisório. Foram reduzidas as exigências burocráticas para viabilizar com maior celeridade os repasses para as organizações sociais envolvidas no enfrentamento à pandemia”, completa Patricia.

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Terceiro Setor

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