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A Governança Corporativa e os velhos hábitos

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O maior perigo em tempos de turbulência
não é a turbulência, mas é atuar de acordo
com os velhos hábitos, com a mesma lógica
do passado. (Peter Drucker)
Tenemos más facilidad para dessarollar un
pensamiento orientado al pasado que al
futuro. Cuando nuestro pensamiento viaja
por los mundos del pasado nos sentimos
seguros, pero cuando cruzamos territórios
del futuro la ansiedad se adueña de nuestros
espíritus. (Sebastião Mendonça – 2001)

Verdade, não é fácil mirar o futuro, principalmente quando temos a atribuição indelegável de tomar decisões presentes no sentido de construir o amanhã desejado, aí a coisa pega e, mais ainda, quando esse futuro desejado não é só nosso, mas de muita gente que gerenciamos e fizemos opção.
Temos dificuldade com o novo, com as incertezas do amanhã improvável e duvidoso,
imponderável, na medida em que as ferramentas de que dispomos para enfrentar o
desconhecido, o obscuro, parece que estão um tanto obsoletas, decrépitas, não servem nem iluminam mais como antes.
Como diz Sebastião Mendonça, nossa mente foi preparada para pensar sobre o passado e desde o passado e, claro, desta forma, quando temos que pensar o futuro, ele será sempre a reprodução o mais fiel possível do passado.
Então vamos construindo o nosso amanhã vestido com as mesmas roupas velhas, com os mesmos hábitos surrados, com aquelas pachorrentas manias, as mesmas carcomidas certezas e verdades tantas vezes ditas.
Ocorre que o futuro, as novas gerações, os amanhãs apressados que nos assolam feito furações, ao que parece, não estão muito preocupados com o que pensamos, com nossos costumes e jeitos de fazer as coisas do jeito que sempre fizemos, ainda que até aqui esteja dando certo.
O futuro vem de cara nova, complexo e cheio de novidades tantas; inexorável, não cede a rogos e, muito longe de ser única e exclusivamente, uma continuação do passado, o futuro nunca é dado, ele será sempre uma possibilidade e uma probabilidade, não há determinismo que dê conta do amanhã, e para acessá-lo, segundo consta, será preciso muita abertura para o novo e, seguramente, alguma dor, visto que nossas certezas serão contestadas e colocadas contra fortes novos argumentos, como diria Ilya Prigogine “o personagem principal de qualquer sistema é a abertura”.
Disto isto, vem a pergunta: como estão os nossos conselhos de administração nas organizações que conhecemos, que influência o futuro exerce nas decisões que são tomadas nesses colegiados e seus processos decisórios?

Quanto tempo das reuniões desses conselhos de administração são dedicados a pensar e rever o passado e quanto desse exíguo tempo de conselheiros e conselheiras são dedicados a pensar na estratégia, no longo prazo, no ambiente externo e no futuro
organizacional? Não é pouco comum ouvir afirmações do tipo: “há mais de 20 anos estou no conselho de tal organização e tudo corre bem por lá”, como se isso fosse um valor ou uma virtude. Não duvido de que esteja tudo bem por lá por enquanto, pode ser, mas me pergunto: o que houve com empresas centenárias como Kodak, Yahoo, Xerox, Blockbuster, onde estavam seus conselhos de administração quando o futuro bateu à porta? Em que pensavam? O que discutiam nas reuniões?
Quanto tempo despendiam para falar do futuro, das novas tecnologias, dos novos jeitos de pensar das novas gerações e de seus hábitos de consumo e crenças?
Em meus estudos sobre as estruturas de governança das organizações, inclusive, das OSCs, conheci colegiados que mais se pareciam com amigos no chá das três da tarde, onde todos trocam ideias, falam amenidades, se confraternizam, onde não há discórdia, conflitos, onde tudo se aprova sem delongas, onde tudo caminha bem, sem novidades, atropelos, sem riscos além do aceitável, onde tudo se parece mesmo com o chá das três.
Muitos desses conselhos cumprem muito bem sua tarefa de exigir e garantir a conformidade organizacional, o que não é pouco, mas acaba que a estrutura de governança se torna cumpridora de um conjunto de regras e análise do passado e não se concentra em pensar a organização para o futuro, para o seu ambiente externo, para os riscos, ameaças e oportunidades que esse ambiente proporciona.
E não é da sala do conselho com duas ou três reuniões no ano que a governança irá gerar esse valor para a organização, já se disse que não há como gerir um grande banco observando tudo da sala do conselho, nem um grande banco, empresa ou mesmo uma pequena organização da sociedade civil, a imersão no ambiente (interno e externo) onde a organização atua é imprescindível para uma adequada gestão e geração de valor.
A mudança é necessária e urgente, mas não é trocando as pessoas que se atingirá esse objetivo, é mudando as mentes e com uma nova sinergia entre o hoje e o amanhã sonhado pelas organizações que chegaremos lá, o passado é importante como lição, mas o futuro não será a repetição de qualquer passado e nem dependerá dele.
Transformemos velhos hábitos, questionemos nossas certezas, possivelmente são roupas velhas que já não nos servem mais, como diria Belchior.
Um amanhã novo com efetiva geração de valor só se constrói com ferramentas e jeito de pensar novos.
Para vinho novo, odres novos!

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