Movimento idealizado pelo Instituto Ar participou da elaboração do Plano de Ação de Saúde de Belém e prepara mobilizações para inserir a saúde no centro da agenda climática internacional
O objetivo central é garantir que as decisões da COP30 considerem os impactos das mudanças climáticas na saúde humana. O Movimento, criado em 2020 sob o nome de Médicos pelo Ar Limpo, já reúne profissionais de todas as regiões do Brasil e integrou a construção do Plano de Ação de Saúde de Belém, coordenado pelo Ministério da Saúde. O documento apresenta diretrizes globais para fortalecer a resiliência dos sistemas de saúde diante da crise climática.
O Médicos pelo Clima atua em três áreas principais, advocacy, produção e disseminação de conhecimento científico e mobilização da classe médica.
Em nota à imprensa, Evangelina Araújo Vormittag, médica e fundadora do Instituto Ar, destaca que os profissionais de saúde têm responsabilidade e poder de influência para enfrentar. “Médicos e médicas engajados na causa ambiental, como porta-vozes da saúde diante da crise climática, têm responsabilidade e poder de influência para enfrentar esse que é o maior desafio para o futuro de nossas vidas”.
O Plano de Ação de Saúde de Belém foi estruturado em três eixos:
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fortalecimento da vigilância e do monitoramento em saúde;
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aceleração de políticas baseadas em evidências;
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incentivo à inovação, pesquisa e tecnologia voltadas a populações vulneráveis.
O embaixador do Movimento, Dr. João Silvestre, doutor e mestre em Saúde Pública pela USP, destaca que os efeitos da crise climática atingem diretamente os ambientes de trabalho. Entre as consequências estão doenças cardiovasculares agravadas pelo calor, câncer de pele, problemas respiratórios relacionados a queimadas e infecções associadas a enchentes, como hepatite e leptospirose.
Ele ressalta que tanto trabalhadores rurais quanto urbanos, como os da construção civil e da indústria, estão expostos a riscos crescentes. Para ele, as empresas precisam adotar uma gestão integrada de saúde, segurança e meio ambiente, alinhando a agenda ESG às urgências da crise climática.
Mobilização na COP30
Durante a conferência, o Movimento Médicos pelo Clima estará à frente da Marcha Global Saúde e Clima, em 11 de novembro, em parceria com o Grupo de Trabalho Amazônico. A mobilização reunirá profissionais de saúde, ativistas e cidadãos para chamar a atenção para os impactos da crise climática na saúde e pressionar por compromissos políticos urgentes.
Além da marcha, será entregue à Presidência da COP30 uma carta de recomendações para garantir que a saúde esteja no centro das negociações climáticas.
Reconhecimento e publicações
O Movimento já alcançou mais de 15 mil profissionais de saúde e integra redes estratégicas como a Coalizão Clima, Crianças e Adolescentes, a Aliança Global Clima e Saúde e o Grupo de Trabalho Saúde Única da Sociedade Brasileira de Pediatria.
Entre suas publicações mais recentes está a cartilha “Como as mudanças climáticas impactam a saúde das crianças?”, elaborada em parceria com a Sociedade Brasileira de Pediatria. O material traz orientações para que famílias e cuidadores protejam as crianças diante da crise climática, apresentando os riscos mais frequentes em cada região do país.
Sobre o Instituto Ar
O Instituto Ar é uma organização sem fins lucrativos fundada por médicos, acadêmicos e profissionais do mercado comprometidos com a causa ambiental. Com mais de 16 anos de atuação, consolidou-se como referência na conexão entre saúde, clima e qualidade do ar. Protege a saúde humana por meio do enfrentamento às mudanças climáticas e da poluição atmosférica, transformando conhecimento científico em ação, influenciando políticas públicas e mobilizando a sociedade por um ar e um clima mais saudáveis. Saiba mais acessando o site oficial.
Fonte: Observatório do Terceiro Setor